Aguardamos sua visita.
Afinar, tornar o que é pesado mais leve. Perder peso. Tornar-me menos sólida, menos densa. Afinar a vida em leveza, mais delicada. Aprender a me curvar como os bambuzais, sem perder a firmeza do corpo. Render-me ao apelo da massa, tornar-me talvez menos eu, ao mesmo tempo mais Eu. Privar-me em algum tempo do que é bom em nome do que é melhor.
Eu tenho fome de pão, de afeto e de bondade.
Tenho fome de beleza, de arte e de sorrir.
Tenho fome de correr, de damasco e de caju.
Tenho fome de voar, fome de subir e fome de morango.
Também tenho fome do porvir, fome de escutar e fome de crescer.
Eu quero doçura, caloria e poesia.
Eu quero arroz, quero feijão e quero um pouco de solidão.
Mas eu quero um tantão de amor, de calor e de sorvete.
Eu quero água, nutrientes, quero paixão.
Eu tenho a fome do espírito, tenho dentes afiados.
Eu quero ser, quero viver, mas quero doer.
Eu quero meu corpo em dia, mas quero minha alma inteira.
Eu tenho a fome dos justos, dos desvalidos, não sou só pão.
Minha fome é antiga, minha língua quer sentir
todo sabor toda cor, toda comida
que engrandeça a alma, que emagreça o corpo,
Mas que alimente o espírito.
Também tenho fome de beijo de abraço e de livro bom.
Faz falta em mim sua música, perfume e ilusão.
Eu sou faminta de selva, de cinema e de licor.
Tenho suor feito de óleo e lágrimas de folhas de louro.
E sem dourar a receita, você tem fome de quê?
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E já tá bom pra começar.
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Bertrand Russel
Se eu fosse ...
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